Acervo Banestado: Arte Paranaense Revisitada



Apresentação Artistas Participantes Obras

 

 

Apresentação

A Casa Andrade Muricy abre mais uma importante exposição internacional. Trata-se de Viagem Sem Fim, do pintor norueguês Kjell Nupen, um dos mais destacados nomes da arte norueguesa contemporânea.

Mais de cinqüenta obras, das mais representativas da produção atual de Nupen, compõem a mostra que chega ao Brasil para uma turnê que vai percorrer, pela primeira vez, vários países da América Latina. O roteiro, que começa por Curitiba, inclui São Paulo, Montevidéu, Buenos Aires e Cidade do México.

A exposição é uma contrapartida cultural da Escandinávia à iniciativa do Paraná, que neste final de ano, enviou para a Noruega uma mostra com mais de 50 obras do artista Alfredo Andersen, norueguês radicado em nosso Estado.

Kjell Nupen nasceu em Kristiansand, Noruega, em 1955, mesma cidade onde nasceu Alfredo Andersen. Entre 1972 e 1976, Nupen fez seus estudos artísticos em Oslo e Düsseldorf. De 1976 a 2000, ele realizou mais de quarenta exposições individuais nas principais cidades da Noruega e países como Dinamarca, França e Alemanha. Nesse período participou de coletivas na Noruega, Alemanha, China, Dinamarca, Suíça, França, Suécia,. Finlândia e Coréia do Sul.

Kjell Nupen tem um forte interesse pelos processos técnicos da pintura, escultura, cerâmica, artes gráficas e desenho. Sua habilidade por adquirir refinadas técnicas o levou a buscar novos materiais e métodos, que o fizeram chegar a surpreendentes e novos resultados. Isso o conduziu a novas expedições para explorar a arte antiga, assim como alargar o seu interesse pelas artes contemporâneas.

De seu amplo atelier, ao lado de sua residência, o artista pode ver o fiorde que banha Kristiansand. Em suas paisagens marinhas, Nupen faz metáforas para situações existenciais, retratos de experiências, expectativas e, talvez, medos e ansiedades. Em algumas pinturas, podemos ver um pássaro vindo do oceano, preparando-se para aterrizar. É uma águia simbolizando o perigo, a agressão, mas também a força e a vontade direcionada. As paisagens marinhas são compostas por formas simples e geométricas, que funcionam como impulsos psicológicos, com elementos incrustados de mistérios.

Nessas pinturas predomina a cor azul, um tom atmosférico molhado que foi denominado de "azul de Nupen", entre o cobalto e o ultramarino. Em outra de suas incursões, Nupen retrata os vales isolados com suas tradições cotidianas e arte popular. As pinturas surgem de processos orgânicos desdobrados diretamente sobre elas com pigmentos baseados em material natural como seiva, resina, vernizes, cera de abelha, breu e cinzas, que representam a metamorfose e destruição mútua.

A expedição no país resultou também na confrontação com a arte popular antiga, uma pintura decorativa baseada em sinais e padrões repetitivos, uma prática escrita que veio ao encontro ao interesse de Nupen na pintura e na escrita. Aqui, ele traça modelos conceituais de pensamento, integrando sua própria pintura com elementos concretos de colagem, criando um diálogo com os artistas anônimos do passado.

Tendo ingressado na Academia de Arte de Oslo aos dezoito anos de idade, Nupen sofreu grande influência da tradição da pintura francesa dominante na época. Mais tarde, em 1975, seu mais importante mestre, Gehard Richter, da Academia de Arte de Düsseldorf, na Alemanha, deu-lhe uma visão baseada no conceitual, que consistia em um processo intelectual do tema, escolhas mais conscientes e uma preparação para o processo pictural que procurava reforçar a clareza e a comunicação e um profundo processo de reflexão.

Posteriormente Nupen desenvolveu seus talentos nas artes gráficas, que tornou-se um marco importante de sua produção. Com o papel, juntou cartas, documentos e selos oficiais. Com esses símbolos criou um diálogo através de emblemas e sinais do passado, transmitindo pedaços de uma história. Recentemente criou uma relação entre a escrita e os ícones. Suas pinturas têm freqüentemente alguma coisa a ser lida, não de imediato, mas por meio da contemplação e do mistério.

Depois de viajar pelo mundo, Nupen atou seus laços à sua terra natal, no Sul da Noruega. Seu modo de expressão é sempre mais forte no que se refere à pintura. Mesmo quando trabalha com artes gráficas, escultura ou cerâmica, Nupen sempre anuncia sua participação como pintor. Seu interesse pelo tradicional pode ser visto em muitas de suas telas que mostram referências dos períodos barroco e romântico, desde pintores como Edvard Munch a seu predecessor, Asger Jorn.

Obras do pintor norueguês encontram-se nos acervos artísticos de instituições culturais de diversos países do mundo. Na Noruega: Nasjonalgalleriet, Museu Nacional de Arte Contemporânea e Hydro ASA (Oslo), Museu de Arte de Sorlandets (Kristiansand), Museu Rogaland (Stavanger), Museu de Trondheim e Museu de Västeräs; na China: Museu de Arte Moderna; na França: Fundo Nacional de Arte Contemporânea e Biblioteca Nacional de Paris.

 


Artistas Participantes

Alberto Massuda (Cairo-Egito, 1925 / Curitiba, 2000)
Alfredo Andersen (Khristiansand-Noruegua,1860 / Curitiba, 1935)
Alvaro Borges (Ponta Grossa-PR,1928 / Curitiba, 1994)
Andréa Paula Soares Guimarães (Curitiba, 1940 / Curitiba, 2000)
Annette Skarbek (Curitiba, 1963)
Antonio Arney (Piraquara-PR, 1926)
Antonio Rizzo (São José do Rio Preto-SP,1961)
Arthur Nísio (Curitiba, 1906 / Curitiba, 1974)
Bia Wouk (Curitiba, 1952)
Carlos Eduardo Zimmermann (Antonina-PR, 1952)
Cláudio Kambé (Matão-SP, 1950)
Cristina Mendes (Curitiba, 1962)
Daniel S. Freire (Bernardino de Campos-SP, 1926 / Curitiba, 2000)
Dijalma de Souza (Londrina-PR, 1950)
Do Carmo Fortes (Duque de Caxias-RJ, 1932)
Dolores B. Branco (Santos-SP, 1939)
Domicio Pedroso (Curitiba, 1930)
Dulce Osinski (Irati-PR, 1962)
Elton D'almeida (Apucarana-PR, 1958)
Elvo Benito Damo (Caçador-SC, 1948)
Érico Da Silva (Itajaí-SC, 1932)
Espedito Rocha (Curitiba, 1921)
Euro Brandão (Curitiba,1924 / Curitiba, 2000)
Everly Giller (Caçador-SC, 1961)
Fernando Augusto (Itanhém-BA, 1960)
Fernando Calderari (Lapa-PR, 1939)
Fernando Ikoma (Martinópolis-SP, 1945)
Fernando Velloso (Curitiba, 1930)
Franco Giglio (Dolceaqua/Riviera Dei Fiori-Itália, 1937/ Desensano Del Garda-Itália, 1982)
Frederico Lange de Morretes (Morretes-PR, 1892 / Curitiba, 1954)
Gena Diana (Londrina-PR, 1969)
Guilmar Silva (Balneário Camburiú-SC, 1943)
Helena Wong (Pequim-China, 1938 / Curitiba, 1990)
Heliana Grudzien (União da Vitória-PR, 1948)
Heloisa Moreira (Itaperuna-RJ, 1946)
Iara Strobel (Curitiba, 1947)
Ida Hannemann de Campos (Curitiba, 1922)
Jair Mendes (São José do Rio Pardo-SP, 1938)
Jandira Martini (Campo Largo-PR, 1932)
Jefferson César (Siqueira Campos-PR, 1932 / Curitiba, 1981)
João Osório Brzezinski (Castro-PR, 1941)
José Gonçalves Trindade (Santa Cruz do Rio Pardo-SP, 1963)
Jussara Age (Curitiba, 1953)
Leila Pugnaloni (Rio de Janeiro, 1956)
Leticia Faria ( Uberlândia-MG, 1953)
Lina Iara Otto (Palmas-PR, 1947)
Loio-Pérsio (Tapiratiba-SP, 1927)
Lucia Nolasco (Divino-MG, 1940)
Luiz Carlos de Andrade Lima (Curitiba,1933 / Curitiba,1998)
Marcos Bento (Blumenau-SC, 1952)
Marcos Coga (Curitiba, 1965)
Mazé Mendes (Laranjeiras do Sul-PR, 1950)
Miguel Bakun (Marechal Mallet-PR, 1909 / Curitiba,1963)
Nilo Previdi (Curitiba,1913 / Curitiba 1982)
Osmar Chromiec (Curitiba,1948/Curitiba, 1993)
Paul Garfunkel (Fontainebleau-França, 1900 / Curitiba, 1981)
Paulo Menten (São Paulo-SP, 1927)
Paulo Valente (Lapa-PR, 1922 / Curitiba, 2000)
Poty Lazzarotto (Curitiba,1924 / Curitiba,1998)
René Bittencourt (Curitiba, 1931)
Ricardo Carneiro (Rio de Janeiro, 1955)
Ricardo Krieger (Curitiba, 1949/ Curitiba, 1991)
Rogério Dias (Jacarezinho-PR, 1945)
Rones Dumke (Curitiba, 1949)
Ruben Esmanhotto (Curitiba, 1954)
Rubens Farias Gonçalves (São Paulo-SP, 1946)
Sofia Dyminski (Varsóvia-Polonia, 1918)
Suene Oliveira Santos (Ribeirão do Pinhal-PR, 1956)
Tereza Koch Cavalcanti (Porto-Alegre-RS, 1930)
Theodoro De Bona (Morretes-PR, 1904 / Curitiba, 1990)
Violeta Franco (Curitiba, 1931)
Yoshiya Nakagawara Ferreira (Aichi Kim-Japão, 1941)
Wilson de Andrade Silva (São Paulo-SP, 1925 / Curitiba, 2001)
Zanzal Mattar (Iacanga-SP, 1941)


Obras

 

Alvaro Borges
"Flores Vermelhas", 1986
Acrílica/aglomerado de madeira
50 x 45 cm.

Paul Garfunkel
"Carro de Boi"
óleo/tela
50 x 65 cm 

 

Theodoro De Bona
"Paisagem", 1973
óleo/tela
69 x 75cm 

 

Fernando Velloso
"Totem da Floresta Imaginária", 1986
Técnica mista /tela
81 x 61 cm

Leila Pugnaloni
"Cidade", 1986
acrílica/tela
100 x 120cm 


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